quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A Inteligência Coletiva e as redes sociais

A Inteligência Coletiva e as redes sociais


Estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma freqüência que si faz crescer. A partir disso, torna-se claro que podemos compreender muito melhor a atividades de uma coletividade, a forma como comportamentos e ideas se propagam, o modo como noticias afluem de um ponto a outro do planeta etc.

Decisões individuais e coletivas parecem estar chamando a atenção não apenas dos interessados de sempre – os que trabalham com marketing – mas também dos estudiosos de redes sociais, dos sociólogos, antropólogos do virtual, dos ciberteóricos, dos especialistas em gestão do conhecimento e da informação, enfim, de todos aqueles que pressentem que há algo de novo a ser investigado, que a interação coletiva pode ser compreendida dentro de uma nova lógica.

O fato de estarmos cada vez mais interconectados uns aos outros implica que tenhamos, de algum modo, que nos confrontar com nossas próprias preferencias e sua relação com aquelas de outras pessoas. A técnica de sugestões dos agentes inteligentes, o problema da decisão ou da escolha e os riscos que isso muitas vezes implica, parecem ter como pano de fundo a negociação das preferências individuais e sua posição no coletivo. Lembrando que, via de regra, as preferências ditas "individuais" são na verdade fruto de uma autêntica construção coletiva, num jogo constante de sugestões e induções que constitui a própria dinâmica da sociedade.

E se a inteligência individual requer certas condições para fluir em cada um de nós (como, por exemplo, a saúde física, criação familiar e situação afetiva), também a inteligência coletiva deve requerer outras condições para afluir entre os indivíduos. Como sugere Pierre Lévy (2004), essas condições poderiam ser dadas pela situação do capital social, cultural e tecnológico de uma coletividade.

Nesse sentido, o potencial de interação entre os indivíduos (capital social) constituiria um dos índices de referência para se compreender a forma de propagação das idéias (capital cultural) através de uma infraestrutura de comunicação (capital tecnológico) no interior de uma comunidade, e seu conseqüente desdobramento ou não em ações coletivas inteligentes.

Devemos lembrar que as inteligências individuais parecem não se prolongar naturalmente numa inteligência coletiva. O fato de indivíduos estarem em grupo não significa que haverá entre eles uma tal sinergia de idéias que resulte numa ação conjunta.

Esses são apenas alguns dos aspectos que apontam para uma espécie de assimetria entre a
dimensão do indivíduo (com suas preferências, interesses, inteligência) e aquela do coletivo, onde os indivíduos são convocados a agir, decidir, adotar comportamentos não apenas em função de si mesmos, mas também conjuntamente.

Comunidades virtuais são lugares onde as pessoas se encontram mas são, igualmente, um meio para se atingir diversos fins (Howard Rheingold, 1993). As comunidades virtuais abrigam um grande número de profissionais que lidam diretamente com o conhecimento, o que faz delas um instrumento prático potencial.

É no horizonte do excesso de informação que encontramos as comunidades virtuais, funcionando como verdadeiros filtros humanos inteligentes. A estratégia de fornecimento e utilização de informação através do ciberespaço seria, na visão de Rheingold, uma maneira extraordinária de um grupo suficientemente grande e diversificado de indivíduos conseguir multiplicar o grau individual de seus conhecimentos.

Os agentes e filtros colaborativos tornam-se mais espertos e úteis na medida em que mais informações e indivíduos fluem através deles. Um dos raros casos conhecidos desse gênero na rede, e aliás com um sucesso extraordinário, é o do sistema operacional Linux, a melhor prova de resultados dessa autêntica espécie de mente coletiva.

Lévy, 1998, 1999, 2001 e 2002, percebe o papel das comunidades como o de filtros inteligentes que nos ajudam a lidar com o excesso de informação, mas igualmente como um mecanismo que nos abre às visões alternativas de uma cultura. "Uma rede de pessoas interessadas pelos mesmos temas é não só mais eficiente do que qualquer mecanismo de busca", diz ele, "mas sobretudo do que a intermediação cultural tradicional, que sempre filtra demais, sem conhecer no detalhe as situações e necessidades de cada um" (Lévy, 2002). Lévy está profundamente convencido, da mesma forma que Rheingold, de que uma comunidade virtual, quando ela é convenientemente organizada, representa uma importante riqueza em termos de conhecimento distribuído, de capacidade de ação e de potência cooperativa.
Steven Johnson (2001), afirma que o ciberespaço começa a nos oferecer aquilo que foi sua promessa original: alimentar uma inteligência coletiva pela conexão de todas as informações do mundo. Hoje já há algo inteiramente novo, uma espécie de segunda onda da revolução interativa que a computação desencadeou: um modelo de interatividade baseado na comunidade, na colaboração muitos-muitos" (Johnson, 2001).

A segunda maneira de se interpretar uma inteligência coletiva é entender uma comunidade virtual como um excelente filtro inteligente que pode ser consultado por qualquer um a qualquer momento. Aqui se encontra a idéia de compartilhamento de recursos, conhecimentos, informações etc. E da mesma forma que no gênero anterior de mente coletiva, aqui também conta o grau de reciprocidade na rede, a capacidade de interação de cada um (capital social) e a fluidez permitida pela infraestrutura de comunicação (capital tecnológico).

Haveria ainda um outro aspecto importante a ser ressaltado, que é o capital cultural de uma coletividade. Entende-se por capital cultural o ecossistema de idéias que alimenta os indivíduos e o coletivo, e que permite que o capital social possa se incrementar e que os limiares de inovação possam ser vencidos. Ele se traduz como a memória cultural de uma população, incluindo museus, redes de bibliotecas, editoras, arquivos, centros de documentação e toda instituição que colabore nesse processo de registro.

O papel fundamental das hipermídias, no caso dos estudos sobre inteligência coletiva, é permitir o estudo das representações semânticas da memória de uma comunidade, reunindo tanto documentações em banco de dados quanto informações no ciberespaço. O mapeamento da rede semântica de uma população é um dos requisitos para que possamos compreender seu potencial de ação coletiva inteligente. A troca e circulação de idéias alimentam o capital cultural e também o capital social.

As diversas formas de comunidades virtuais, a estratégia P2P, as comunidades móveis, a explosão dos blogs e wikis, a recente febre do orkut são prova de que o ciberespaço constitui um fator crucial no incremento do capital social e cultural disponíveis (Rheingold 2002, Costa 2002).

Esse aspecto foi também decisivo para a elaboração do projeto da inteligência coletiva proposto por Pierre Lévy e que está inserido na vertente da cartografia baseada em softwares de rede. Lévy (2004) conceitua a inteligência coletiva como um jogo entre o capital social, cultural e técnico de uma comunidade.
Com a nova cultura do ciberespaço a assimetria indivíduo/grupo ganhou em complexidade, o que requer novas investigações dentro de uma perspectiva científica. Indivíduos devem negociar suas preferências pessoais no momento em que estão em grupo, em sociedade. Dentro do cenário atual da ciber sociedade, é que será possível desenvolver modelos que possam nos explicar de que forma se dá essa negociação e de que maneira seria possível interferir em seu jogo.

Autores Citados:

Howard Rheingold, "Mobile Virtual Communities". Em: www.rheingold.com, 09/07/2001.
Howard Rheingold, Smart mobs: the next social revolution, Perseus, 2002.
Pierre Lévy, Cyberdémocratie. Paris: Odile Jacob, 2002.
Pierre Lévy, A Inteligência Coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.
Pierre Lévy, Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
Pierre Lévy, A Conexão Planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência. São Paulo: Editora 34, 2001.
Pierre Lévy, www.collectiveintelligence.info/documents, 2004.
Rogério da Costa, A Cultura Digital, Publifolha, 2002.
Steven Johnson, Emergence: the connected lives of ants, brains, cities, and software. Nova Iorque: Scribner, 2001.

http://www.comunidade.sebrae.com.br/orientador_emp/Cafe+com+Letras/37139.aspx

sábado, 11 de outubro de 2014

‘Só tablets não fazem o trabalho sozinhos’, diz o filósofo Pierre Lévy


Um professor com jeitão de guia e um aluno mais responsável pela sua formação. Esse é o futuro projetado pelo filósofo francês Pierre Lévy, que estará no encontro internacional Educação 360, promovido pelo EXTRA e pelo “Globo” nos dias 5 e 6 de setembro. “Devemos treinar o estudante para se engajar na construção do conhecimento colaborativo. Pode não ser útil para ser aprovado numa prova, mas será útil para ele no trabalho, como cidadão”, aconselha o professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, que é autor de livros como “Cibercultura” (1997) e “A esfera semântica” (2011). Nesta entrevista ao EXTRA, Lévy fala dos desafios trazidos pelas novas mídias e mostra alguns caminhos para a nova sala de aula.
Qual o novo papel do professor com as novas mídias em rede?
O professor deve participar mais ativamente dessa nova mídia. Entendê-la e usá-la sistematicamente para o seu próprio aprendizado. Ler a Wikipédia não é o mesmo que ler no papel. Na nova mídia, você não aprende lendo o texto. Aprende junto: se comunicando, com exploração ativa, comparando fontes... Se os professores não usarem essa nova mídia para si mesmos, nunca serão capazes de ensinar os alunos a usar essas ferramentas. Os estudantes já sabem usar as redes sociais para trocar vídeos de gatinhos, para diversão ou videogames estúpidos. Agora, têm que aprender a escolher jogos interessantes e sérios. Entender o processo de aprendizado coletivo e filtragem de dados.
Quais os métodos para essa tarefa de guia do professor?
Há muitas situações diferentes. Não só geográficas e culturais, mas também entre os níveis educacionais. Você não usa a internet ou o tablet do mesmo jeito na educação primária e na universidade. Não há métodos universais que se encaixem em qualquer situação. Por isso, encorajo os professores a aprenderem por eles mesmos e adaptarem os tipos de exercícios aos estudantes.
Como o senhor faz com seus alunos?
Abro um grupo no Facebook e os convido para fazerem uma seleção de conteúdo. Eles têm que publicar algum conteúdo, que seja relevante e conectado com o assunto da aula, com um pequeno comentário. Também crio subgrupos no Facebook para os alunos discutirem questões particulares e ajudarem uns aos outros. Peço para me seguirem no Twitter e me indicarem materiais importantes relacionados com pontos que vimos em sala de aula. Além disso, os convido a entrar no Schoolpix, que é uma ferramenta de conteúdo. Há várias na internet, essa é só um exemplo. Esse conjunto de ações é um dos melhores jeitos de o aluno explorar os múltiplos recursos de fontes e botar em prática alguma responsabilidade em escolher as informações e as fontes certas e o jeito de organizá-las. É importante escolher e categorizar as informações. Não ser apenas um consumidor de informações.
O que o senhor acha da divisão da escola por disciplinas?
É importante para o professor ter um sólido conhecimento no tema que está ensinando. É mais interessante a gente pensar em assuntos do que disciplinas. Ou seja, se for falar sobre o Brasil, pode falar sobre a geografia, a história, a economia e outras coisas. Então, o professor deve ter uma perspectiva multidisciplinar, mas só sobre disciplinas.
Alunos que estão no nível da alfabetização devem usar equipamentos tecnológicos?
Assim que eles aprendem a ler e a escrever, eles podem usar uma mídia interativa como o tablet. Devem começar desde cedo. Existem perigos. Algumas imagens não são boas para crianças. E algumas coisas são muito violentas. É uma questão de bom senso no uso da tecnologia.
O uso de tecnologia na sala de aula é o caminho natural do aprendizado?
Não existe um caminho natural. A educação está sempre se desenvolvendo. É uma questão de adaptação cultural e também de iniciativas. Sou a favor da adoção dessas tecnologias, como os tablets, mas isso não resolve os problemas. Se os professores não forem, eles mesmos, muito bons em usar essas ferramentas, no sentido de usar para aprender, para explorar, colaborar e tudo mais, não vai ser válido. Só tablets não fazem o trabalho sozinhos. Só a ferramenta não resolve, se você não sabe usar. O ponto importante, não só para os professores, mas também para os alunos, é usar para aprender de forma colaborativa e para explorar. Não ficar sempre na mesma rede social ou nos mesmos lugares, mas explorar diferentes ferramentas, funções, comunicações.
No Brasil, há escolas que não têm nem bibliotecas. A inclusão da tecnologia aumenta a diferenças entre escolas públicas e privadas?
Já estive no país e ouvi muito que essa diferença aumentaria. Mas acho que é só uma maneira de evitar olhar para os fatos e se adaptar. A gente devia encorajar a nova mídia de todas as formas possíveis e usar isso para combinar o aprendizado individual com o aprendizado coletivo. Compartilhar a nossa exploração. A construção de uma memória pessoal online e de uma memória coletiva online. Devemos treinar o aluno para ele saber lidar com o próprio aprendizado e se engajar na construção do conhecimento colaborativo. Não vai ser útil para ser aprovado em algum exame, mas vai ser útil para ele no trabalho, para ele como cidadão.
Qual é a nova posição do aluno no aprendizado?
Pensamento crítico sempre foi uma parte importante da educação, mas agora é ainda mais. Os estudantes devem perceber que conhecimento não existe independentemente das pessoas. É algo que se produz por pesquisadores, professores, jornalistas e outras pessoas. E que eles também podem fazer. Devem entender o mais cedo possível que, mesmo em ciências, e, especialmente em ciências humanas, existem diferentes teorias. E não há apenas uma verdadeira e outras erradas. Eles devem se acostumar ao fato de que produção de conhecimento é algo muito diversificado e colaborativo, mas também competitivo entre diferentes ideias e teorias. E que eles devem se tornar responsáveis. Na nossa relação com o conhecimento, somos responsáveis pelo conhecimento que criamos, aprendemos e transmitimos.
O ensino à distância é menos confiável?
Existe uma diferença muito pequena entre estudo à distância e presencial. Mesmo no modelo tradicional, em classe, peço para meus alunos fazerem muitos trabalhos em casa, e muito da nossa comunicação acontece no espaço digital: Facebook, Twitter ou outras plataformas. Acho importante ter o encontro presencial entre aluno e professor, mas a qualidade é independente disso. Você pode ter alta ou baixa qualidade à distancia, só tem que ver o resultado. Se os alunos deixaram o curso e não passaram, é má qualidade. Se for ao contrário, a qualidade é boa. É claro que há muito curso ruim. Se ninguém fica até o fim, não deu certo.
A inclusão da tecnologia na educação aumenta a demanda do poder público?
Na verdade, é o contrário. Você pode colocar todos os livros dentro de um tablet. Fica mais barato até.
Qual o cenário mais otimista da contribuição das novas mídias para a educação?
Uma vez que você seja alfabetizado, tem a possibilidade de acesso a todo conhecimento do mundo de graça e a possibilidade de se comunicar com o mundo todo. É claro que isso não vai acontecer sem trabalho. Não há conhecimento sem esforço. Mas, uma vez que você queira aprender, você pode. Melhor e mais rápido do que de outras maneiras.

TECNOLOGIA INVADE SALA DE AULA DA ROCINHA


Sete motivos para um professor criar um blog (Betina von Staa)



Sete motivos para um professor criar um blog
A intenção é trazer para cá algumas das ideias
que a gente vê perdidas pelo mundo — real ou virtual

(Blog de Nelson Vasconcelos)
Nesse mundo da tecnologia, inventam-se tantas novidades que realmente é difícil acompanhar todas as possibilidades de trabalho que elas abrem para um professor. Recentemente, surgiu mais uma: o blog.
Mas o que vem a ser isso? Trata-se de um site cujo dono usa para fazer registros diários, que podem ser comentados por pessoas em geral ou grupos específicos que utilizam a Internet. Em comparação com um site comum, oferece muito mais possibilidades de interação, pois cada post (texto publicado) pode ser comentado. Comparando-se com um fórum, a discussão, no blog, fica mais centrada nos tópicos sugeridos por quem gerencia a página e, nele, é visualmente mais fácil ir incluindo novos temas de discussão com frequência para serem comentados.
Esse gênero foi rapidamente assimilado por jovens e adultos do mundo inteiro, em versões pessoais ou profissionais. A novidade é tão recente; e o sucesso, tamanho, que em seis anos, desde o início de sua existência, em 1999, o buscador Google passou a indicar 114 milhões de referências quando se solicita a pesquisa pelo termo “blog”, e, só no Brasil, aparecem 835 mil resultados hoje.
No mundo acadêmico, por sua vez, esse conceito ainda é praticamente desconhecido. O banco de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) não apresenta nenhuma referência sobre o tema e, mesmo em buscas internacionais, são pouquíssimos os trabalhos a respeito do que se pode fazer com um blog nas escolas. Todas as referências encontradas estão no pé deste artigo.
Não é à toa que tantos jovens e adultos começaram a se divertir publicando suas reflexões e sua rotina e que tantos profissionais, como jornalistas e professores, começaram a entrar em contato com seu público e seus alunos usando esse meio de comunicação. No blog, tudo acontece de uma maneira bastante intuitiva; e não é porque a academia ainda não disse ao professor que ele pode usar um blog que essa forma de comunicação deve ser deixada de lado. Com esse recurso, o educador tem um enorme espaço para explorar uma nova maneira de se comunicar com seus alunos. Vejamos sete motivos pelos quais um professor deveria, de fato, criar um blog.
1-     É divertido
É sempre necessário termos um motivo genuíno para fazer algo e, realmente, não há nada que legitime mais uma atividade que o fato de ela ser divertida. Um blog é criado assim: pensou, escreveu. E depois os outros comentam. Rapidamente, o professor vira autor e, ainda por cima, tem o privilégio de ver a reação de seus leitores. Como os blogs costumam ter uma linguagem bem cotidiana, bem gostosa de escrever e de ler, não há compromisso nem necessidade de textos longos, apesar de eles não serem proibidos. Como também é possível inserir imagens nos blogs, o educador tem uma excelente oportunidade de explorar essa linguagem tão atraente para qualquer leitor, o que aumenta ainda mais a diversão. O professor, como qualquer “blogueiro”, rapidamente descobrirá a magia da repercussão de suas palavras digitais e das imagens selecionadas (ou criadas). É possível até que fique “viciado” em fazer posts e ler comentários.
2-     Aproxima professor e alunos
Com o hábito de escrever e ter seu texto lido e comentado, não é preciso dizer que se cria um excelente canal de comunicação com os alunos, tantas vezes tão distantes. Além de trocar ideias com a turma, o que é um hábito extremamente saudável para a formação dos estudantes, no blog, o professor faz isso em um meio conhecido por eles, pois muitos costumam se comunicar por meio de seus blogs. Já pensou se eles puderem se comunicar com o seu professor dessa maneira? O professor “blogueiro” certamente se torna um ser mais próximo deles. Talvez, digital, o professor pareça até mais humano.
3-     Permite refletir sobre suas colocações
O aspecto mais saudável do blog, e talvez o mais encantador, é que os posts sempre podem ser comentados. Com isso, o professor, como qualquer “blogueiro”, tem inúmeras oportunidades de refletir sobre as suas colocações, o que só lhe trará crescimento pessoal e profissional. A primeira reação de quem passou a vida acreditando que diários devem ser trancados com cadeado, ao compreender o que é um blog, deve ser de horror: “O quê? Diários agora são públicos?”. Mas pensemos por outro lado: que oportunidade maravilhosa poder descobrir o que os outros acham do que dizemos e perceber se as pessoas compreendem o que escrevemos do mesmo modo que nós! Desse modo, podemos refinar o discurso, descobrir o que causa polêmica e o que precisa ser mais bem explicado ao leitor. O professor “blogueiro” certamente começa a refletir mais sobre suas próprias opiniões, o que é uma das práticas mais desejáveis para um mestre em tempos em que se acredita que a construção do conhecimento se dá pelo diálogo.
4-     Liga o professor ao mundo
Conectado à modernidade tecnológica e a uma nova maneira de se comunicar com os alunos, o educador também vai acabar conectando-se ainda mais ao mundo em que vive. Isso ocorre concretamente nos blogs por meio dos links (que significam “elos”, em inglês) que ele é convidado a inserir em seu espaço.  Os blogs mais modernos reservam espaços para links, e logo o professor “blogueiro” acabará por dar algumas sugestões ali. Ao indicar um link, o professor se conecta ao mundo, pois muito provavelmente deve ter feito uma ou várias pesquisas para descobrir o que lhe interessava. Com essa prática, acaba descobrindo uma novidade ou outra e tornando-se uma pessoa ainda mais interessante. Além disso, o blog será um instrumento para conectar o leitor a fontes de consulta provavelmente interessantes. E assim estamos todos conectados: professor, seus colegas, alunos e mundo.
5- Amplia a aula
Não é preciso dizer que, com tanta conexão possibilitada por um blog, o professor consegue ampliar sua aula. Aquilo que não foi debatido nos 45 minutos que ele tinha reservados para si na escola pode ser explorado com maior profundidade em outro tempo e espaço. Alunos interessados podem aproveitar a oportunidade para pensar mais um pouco sobre o tema, o que nunca faz mal a ninguém. Mesmo que não caia na prova.
6-     Permite trocar experiências com colegas
Com um recurso tão divertido em mãos, também é possível que os colegas professores entrem nos blogs uns dos outros. Essa troca de experiências e de reflexões certamente será muito rica. Em um ambiente onde a comunicação entre pares é tão entrecortada e limitada pela disponibilidade de tempo, até professores de turnos, unidades e mesmo escolas diferentes poderão aprender uns com os outros. E tudo isso, muitas vezes, sem a pressão de estarem ali por obrigação. (É claro que os blogs mais divertidos serão os mais visitados. E não precisamos confundir diversão com falta de seriedade profissional.)
7-     Torna o trabalho visível
Por fim, para quem gosta de um pouco de publicidade, nada mais interessante que saber que tudo o que é publicado (até mesmo os comentários) no blog fica disponível para quem quiser ver. O professor que possui um blog tem mais possibilidade de ser visto, comentado e conhecido por seu trabalho e suas reflexões. Por que não experimentar a fama pelo menos por algum tempo?
Antes de fazer seu próprio blog, vale a pena consultar as realizações de algumas pessoas comuns ou dos mais variados profissionais. Faça uma busca livre pela Internet para descobrir o que se faz nos blogs pelo mundo afora e (re)invente o seu!

Referências bibliográficas:
DICKINSON, Guy. Weblogs: can they accelerate expertise? Tese de mestrado em Educação da Ultralab, Anglia Polytechnic University, Reino Unido, 2003. Acesso em: 29 jul. 2005.
GENTILE, Paola. Blog: diário (de aprendizagem) na rede. Nova escola, jun./jul. 2004. Acesso em: 29 jul. 2005.
KOMESU, Fabiana Cristina. Blogs e as práticas de escrita sobre si na Internet. In: MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antônio Carlos. Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.
LEARNING and Leading with Technology. BlogOn, 2005. vol 32, n. 6.
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Betina von Staa é coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional e articulista da divisão de portais da Positivo Informática. Autora e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação Vanzolini e o UnicenP, é doutora em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014